Menininha assistindo TV

Quantas horas de TV são recomendadas para o seu filho?

Quantas horas de TV são recomendadas para o seu filho?

Fev 12, 2026
4mins

Você sabia que mais de 1 hora de TV pode afetar o desenvolvimento infantil? Descubra como equilibrar o uso das telas com brincadeiras ativas.

Criar filhos na era digital pode ser desafiador! As telas fazem parte do nosso dia a dia e, embora possam oferecer momentos educativos e de descanso, o uso excessivo de telas também traz riscos para o desenvolvimento infantil.

Quantas horas de telas são recomendadas para crianças pequenas? Como encontrar o equilíbrio entre o tempo de tela e as experiências que realmente impulsionam o crescimento dos pequenos?

Quais são as recomendações?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica:

  • Crianças com menos de 2 anos: Sem exposição às telas
  • Crianças em idade pré-escolar (2 a 5 anos): No máximo 1 hora de tela por dia

Essas recomendações se baseiam em pesquisas que mostram que o uso excessivo de telas, especialmente acima de 1 hora por dia, pode impactar negativamente o desenvolvimento da criança.

Efeitos negativos de excesso de telas

Quando as crianças passam tempo demais diante da tela, o impacto vai muito além do que imaginamos: pode influenciar no desenvolvimento e na forma como os pequenos aprendem e interagem.

1. Efeito disruptivo

Assistir às telas por um tempo maior do que o recomendado pode afetar a capacidade de atenção e a concentração dos pequenos. Alguns minutos de desenhos animados com sons altos e mudanças rápidas de cena podem fazer as crianças se sentirem superestimuladas.

Depois de assistir a esse tipo de conteúdo, fica mais difícil para elas:

  • Seguir instruções;
  • Lembrar informações;
  • Resolver problemas.

Por isso, é importante escolher programas calmos e adequados à idade.

2. Efeito de rolagem

Quando há uso excessivo de telas, as crianças param de realizar atividades essenciais para seu desenvolvimento, tais como:

  • Jogos ao ar livre;
  • Interação social com outras crianças;
  • Ouvir histórias lidas pelos pais;
  • Atividades criativas e motoras;
  • Sonhar acordado;
  • Aproveitar o tédio e criar as próprias brincadeiras.

Essas experiências são essenciais para desenvolver as habilidades motoras, a criatividade e a autonomia.

Impacto no desenvolvimento da linguagem

Quando a TV está ligada, mesmo ao fundo, pais e filhos conversam muito menos entre si. Um estudo de 2009 revelou que, quando a televisão está desligada, adultos falam cerca de 941 palavras por hora, mas apenas 171 palavras quando ela está ligada. A diferença é enorme!

Se levarmos em conta que a conversa entre pais e filhos é o fator mais importante para o desenvolvimento precoce da linguagem, essa redução drástica pode ter um impacto muito negativo, especialmente em casas onde a televisão está ligada o tempo todo.

3. Outros efeitos negativos

  • Distúrbios do sono;
  • Impacto na saúde visual;
  • Aumento do risco de obesidade;
  • Atrasos no desenvolvimento;
  • Problemas de concentração.

Assistir à televisão pode ser positivo para crianças?

Assistir à TV também pode trazer benefícios, se o tempo for limitado e se o conteúdo escolhido for educativo e adequado à idade da criança.

Família assistindo TV juntos

1. Benefício para o aprendizado

Programas educacionais adequados à idade podem ajudar as crianças a aprender novas palavras e conceitos, especialmente se os pais assistirem ao programa ao lado dos filhos e reforçarem esse aprendizado no dia a dia.

2. Efeito relaxante

Em momentos de estresse, permitir que a criança assista à televisão por menos de uma hora, desde que o conteúdo seja adequado e não inclua desenhos animados excessivamente estimulantes, pode contribuir para seu relaxamento emocional e mental.

Pesquisas mostram que programas de boa qualidade, especialmente quando assistidos na companhia de um adulto, ajudam a criança a desacelerar, reorganizar suas emoções e até favorecer a aprendizagem e o diálogo familiar.

Alternativas práticas e criativas

Para ajudar a reduzir o tempo de tela, ofereça atividades que envolvam o corpo, a criatividade e a conexão. Veja algumas opções abaixo:

  • Jogos sensoriais como massinha, tintas e objetos com diferentes texturas. Eles estimulam a imaginação e mantêm as crianças ocupadas de forma divertida;
  • Atividades ao ar livre, como coletar folhas, brincar com água ou explorar o quintal/parque. Além de diminuir o uso de telas, essas experiências fazem bem para o humor, o corpo e a criatividade;
  • Leitura compartilhada, que aproxima a família e ajuda a desenvolver linguagem e concentração, sendo uma ótima alternativa às telas;
  • Música e dança em casa, que liberam energia, reduzem o estresse e deixam o clima mais leve para todos.

Dicas práticas

Sabemos que limitar o tempo de tela nem sempre é simples, especialmente porque a televisão e outros dispositivos fazem parte do cotidiano de muitas famílias.

Estudos mostram que o impacto das telas depende não apenas da quantidade, mas também do contexto, do tipo de conteúdo e da mediação dos adultos da família.

Para apoiar uma rotina mais equilibrada, algumas estratégias podem ajudar:

  • Crie uma lista de programas educacionais aprovados;
  • Use as telas como último recurso, não como primeira opção;
  • Estabeleça rotinas claras (por exemplo, "telas somente após o lanche").

Não se trata de perfeição, mas de encontrar um equilíbrio que funcione para sua casa. O importante é que o tempo de tela não substitui experiências essenciais para o desenvolvimento.

Referências

Organización Mundial de la Salud (24 de abril de 2019). To grow up healthy, children need to sit less and play more. Organización Mundial de la Salud. https://www.who.int/news/item/24-04-2019-to-grow-up-healthy-children-need-to-sit-less-and-play-more

Organización Mundial de la Salud (2019). Guidelines on Physical Activity, Sedentary Behaviour and Sleep for Children Under 5 Years of Age. Organización Mundial de la Salud. ISBN 978-92-4-155053-6 https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/60a1cbaa-2bef-4251-9557-e52ce22112b3/content

Shute, N. (12 de setiembre del 2011). SpongeBob May Be Too Speedy For Preschool Brains. NPR. https://www.npr.org/sections/health-shots/2011/09/12/140401099/spongebob-may-be-too-speedy-for-preschool-brains

Gilkerson, J., Richards, J. A., Zimmerman, F. J., Garrison, M. M., Xu, D., Gray, S., & Yapanel, U. (2009). Audible Television and Decreased Adult Words, Infant Vocalizations, and Conversational Turns. Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, 163(6), 554. https://doi.org/10.1001/archpediatrics.2009.61

Rice, M. L., & Woodsmall, L. (1988). Lessons from television: children’s word learning when viewing. Child Development, 59(2), 420–429. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3359862/

Garey, J. (s.f.). Los beneficios de ver televisión con los niños más pequeños. Child Mind Institute. https://childmind.org/es/articulo/los-beneficios-de-ver-television-con-los-ninos-mas-pequenos/

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