Bebê misto agarrado a um adulto, expressando angústia de separação em ambiente acolhedor e iluminado.

Angústia de separação no bebê: compreenda esse marco do desenvolvimento

Angústia de separação no bebê: compreenda esse marco do desenvolvimento

Fev 26, 2026
6mins

Saiba por que seu bebê de 6–8 meses vivencia angústia de separação e descubra dicas carinhosas para acolher, criar rotina e fortalecer vínculos com segurança.

Se o seu bebê começou a chorar quando você sai do quarto, estranhar pessoas conhecidas ou se agarrar a você como se não quisesse soltar nunca mais, isso pode ser angústia de separação, um marco importante e esperado do desenvolvimento.

Entre 6 e 8 meses, muitos bebês passam por essa fase. De repente, aquele pequeno que ia tranquilamente no colo de outras pessoas começa a demonstrar desconforto quando a mãe, o pai ou a principal figura de cuidado se afastam.

Pode parecer desafiador. E, em alguns momentos, até doloroso para o coração da família. Mas a boa notícia é que a angústia de separação não é um retrocesso. Ao contrário: ela é sinal de que o desenvolvimento emocional do seu bebê está avançando.

Neste conteúdo, vamos explicar o que é a angústia de separação, por que ela acontece, quais são os sinais mais comuns e como acolher seu bebê com segurança e carinho.

O que é angústia de separação no bebê?

A angústia de separação é uma reação emocional comum que surge quando o bebê percebe a ausência da sua principal figura de apego, geralmente mãe, pai ou cuidador mais presente.

Diferente da chamada “ansiedade de separação”, que envolve também sentimentos e preocupações dos pais, aqui estamos falando especificamente do bebê. É o momento em que ele começa a entender que existe como indivíduo separado da mãe ou do cuidador e que essa pessoa pode ir embora.

Até cerca de 5 meses, o bebê ainda não compreende totalmente que as pessoas continuam existindo quando saem do seu campo de visão. A partir dos 6 meses, com o avanço do desenvolvimento cognitivo, ele começa a perceber isso. E é aí que surge o estranhamento.

A angústia de separação é, portanto, uma etapa saudável do amadurecimento emocional.

Por que isso acontece entre 6 e 8 meses?

Entre 6 e 8 meses, o cérebro do bebê passa por transformações importantes. Ele começa a desenvolver o que os especialistas chamam de “permanência do objeto”, conceito estudado por Jean Piaget.

Isso significa que o bebê entende que algo (ou alguém) continua existindo mesmo quando não está visível. Parece simples para nós, adultos. Mas para o bebê é uma grande descoberta.

Ao mesmo tempo, ele já reconhece claramente as pessoas com quem convive mais. Consegue diferenciar rostos familiares de desconhecidos. E passa a demonstrar preferência por quem oferece segurança e cuidado.

Quando essa figura sai do ambiente, o bebê sente insegurança. Ele ainda não tem maturidade emocional para compreender que a separação é temporária. Para ele, pode parecer definitiva.

Por isso, o choro é a forma de comunicação que encontra para expressar essa angústia.

Quais são os sintomas da angústia da separação?

Os sinais podem variar de bebê para bebê. Mas alguns comportamentos são bastante comuns nessa fase:

  • Choro ao ver o cuidador se afastar;
  • Incômodo quando vai para o colo de outras pessoas;
  • Dificuldade para dormir sem a presença dos pais;
  • Maior necessidade de contato físico;
  • Desconforto em ambientes novos;
  • Apego intenso a objetos de transição (paninho, mantinha).

É importante lembrar que esses comportamentos não indicam que o bebê está “mimado” ou “mal acostumado”. Eles fazem parte de um processo natural de desenvolvimento emocional.

Veja também: Ansiedade de separação em bebês: como lidar?

Como reconhecer a angústia de separação do seu bebê?

Nem todo choro está relacionado à angústia de separação. Fome, sono, desconforto físico e excesso de estímulos também podem causar irritação. Algumas pistas ajudam a diferenciar:

  • O choro começa especificamente quando você se afasta;
  • O bebê se acalma ao voltar para o seu colo;
  • O desconforto é maior com pessoas menos familiares;
  • A reação é mais intensa em ambientes novos.

Observe o contexto. A angústia de separação costuma aparecer de forma mais evidente quando há mudança de rotina ou início de novas experiências, como entrada na creche ou retorno ao trabalho dos pais.

A atenção aos detalhes faz toda a diferença para oferecer o acolhimento certo.

Quanto tempo dura a angústia da separação?

A angústia de separação geralmente surge por volta dos 6 a 8 meses e pode se estender até cerca de 1 ano e meio. Em alguns momentos, pode reaparecer, especialmente em fases de transição ou mudanças importantes.

Cada criança tem seu ritmo. Algumas demonstram sinais leves e passam rapidamente pela fase. Outras precisam de mais tempo para se sentir seguras.

O mais importante é compreender que essa etapa não dura para sempre. Com apoio, previsibilidade e vínculo seguro, o bebê aprende que as separações são temporárias. E isso constrói algo essencial: confiança.

Como amenizar angústia da separação?

Não existe uma fórmula mágica para eliminar completamente a angústia de separação. Mas existem estratégias que ajudam o bebê a atravessar essa fase com mais segurança.

Crie pequenas despedidas previsíveis: evite sair escondido para não gerar choro. Embora pareça mais fácil no momento, isso pode aumentar a insegurança do bebê.

Prefira despedidas curtas e tranquilas: explique com voz calma: “A mamãe vai ali e já volta”. Mesmo que ele ainda não compreenda todas as palavras, entende o tom e a segurança transmitida.

Estabeleça rotina: bebês se sentem mais seguros quando conseguem prever o que vai acontecer. Horários organizados para sono, alimentação e brincadeiras ajudam a criar estabilidade emocional.

Fortaleça o vínculo: momentos de presença verdadeira fazem diferença. Olho no olho, conversa, toque e brincadeiras simples fortalecem a base de segurança.

Introduza outras figuras de cuidado gradualmente: se o bebê vai ficar com outra pessoa, comece com períodos curtos e aumente aos poucos. Isso permite que ele construa confiança progressivamente.

Brincadeiras e interações que ajudam

Brincar é uma poderosa ferramenta de desenvolvimento emocional. Algumas atividades simples ajudam o bebê a compreender que a separação é temporária.

Brincadeira do “cadê-achou”: esconder o rosto com as mãos e reaparecer logo em seguida ensina que aquilo que desaparece volta. Essa dinâmica trabalha exatamente o conceito de permanência do objeto.

Esconde-esconde com objetos: cubra um brinquedo com um paninho e incentive o bebê a procurar. Isso reforça a compreensão de que as coisas continuam existindo mesmo fora da visão.

Pequenas saídas dentro de casa: saia do campo de visão por alguns segundos e retorne. Faça isso de maneira leve, sorrindo. O objetivo é mostrar que você sempre volta.

Essas interações, além de divertidas, ajudam o bebê a desenvolver confiança e segurança emocional.

O papel da família e de quem cuida

A forma como os adultos reagem influencia diretamente o bebê. Quando os pais demonstram tranquilidade e confiança, transmitem segurança. É natural sentir o coração apertado ao ver o bebê chorar. Mas manter a calma é essencial. Algumas atitudes importantes:

  • Validar o sentimento do bebê;
  • Evitar rótulos como “manhoso”;
  • Manter coerência nas despedidas;
  • Não prolongar excessivamente o momento de saída.

Quando a família age de forma alinhada, o bebê percebe estabilidade.

Quando buscar ajuda profissional?

Na maioria dos casos, a angústia de separação é temporária e faz parte do desenvolvimento típico. No entanto, vale conversar com o pediatra se:

  • O choro for extremamente intenso e persistente;
  • Houver regressão significativa em outras áreas do desenvolvimento;
  • O bebê apresentar alterações importantes no sono ou alimentação;
  • A angústia se prolongar muito além dos 2 anos com impacto significativo na rotina.

O acompanhamento profissional ajuda a esclarecer dúvidas e trazer segurança para a família.

Veja também: Ansiedade Infantil de Separação: o que é?

Crescer é aprender a confiar

A angústia de separação pode parecer desafiadora. Mas, no fundo, ela revela algo bonito: seu bebê aprendeu a amar, reconhecer e confiar em você. Ele chora porque sabe quem oferece segurança.

Com acolhimento, rotina e presença afetiva, essa fase se transforma em um importante passo no desenvolvimento emocional. Aos poucos, seu bebê aprende que as separações são temporárias e que o vínculo permanece.

E é assim que a confiança começa a florescer. Se você quer acompanhar cada fase do desenvolvimento do seu pequeno com informação confiável e apoio acolhedor, continue explorando os conteúdos do Nestlé FamilyNes. Aqui, você encontra orientações, atividades e dicas pensadas para cada momento da infância. Porque crescer é um processo. E vocês não precisam passar por ele sozinhos.

As dicas não substituem uma consulta médica. Procure um profissional de saúde para receber orientações individualizadas.

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