Uma criança medrosa sentada em um sofá marrom, abraçando os próprios joelhos com força e escondendo parte do rosto. Ela veste uma blusa rosa de manga longa e calça jeans, olhando para o lado com uma expressão de insegurança e apreensão.

Criança medrosa: entenda o medo por idade e apoie a segurança emocional

Escolar
Artigo

Criança medrosa: entenda o medo por idade e apoie a segurança emocional

Jan 31, 2026
5mins

Entenda por que a criança medrosa sente medo em diferentes idades, desde monstros até preocupações reais. Descubra dicas acolhedoras para desenvolver segurança emocional.

Se o seu filho se assusta facilmente, chora diante de situações novas ou demonstra medo de coisas que parecem “simples” para os adultos, você não está sozinho. Ter uma criança medrosa é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, faz parte do desenvolvimento saudável da infância.

O medo é uma emoção básica, presente desde os primeiros meses de vida. Ele ajuda a criança a se proteger, a entender limites e a reconhecer o mundo ao seu redor. O papel da família não é eliminar o medo, mas acolher, explicar e ajudar a criança a se sentir segura emocionalmente em cada fase do crescimento.

Neste conteúdo, vamos conversar sobre se é normal uma criança ser medrosa; quais são as fases do medo infantil, de acordo com a idade; quando o medo pode sinalizar algo além do esperado; e como apoiar o desenvolvimento da segurança emocional no dia a dia.

É normal uma criança ser medrosa?

Sim, é totalmente normal. O medo faz parte do desenvolvimento emocional infantil e muda conforme a criança cresce. Uma criança medrosa não é fraca, mimada ou “difícil”. Na verdade, ela está aprendendo a lidar com emoções novas, situações desconhecidas e estímulos que ainda não consegue compreender completamente.

Durante a infância, o cérebro está em intenso desenvolvimento. A imaginação cresce rápido, enquanto a capacidade de diferenciar o real do imaginário ainda está sendo construída. Por isso, muitos medos surgem mesmo quando não existe um perigo real.

O que faz diferença é como os adultos respondem a esses medos. Quando a criança se sente ouvida, acolhida e respeitada, ela aprende, aos poucos, a enfrentar o que a assusta com mais confiança.

Veja também: Criança com medo do escuro: dicas para acolher e superar o medo com brincadeiras

Quais são as fases do medo infantil?

Os medos infantis costumam seguir um padrão de acordo com a idade. Entender essas fases ajuda a família a agir com mais empatia e segurança, sem minimizar sentimentos nem reforçar inseguranças.

Medo na primeira infância (0-3 anos)

Nos primeiros anos de vida, o medo está muito ligado à sensação de proteção e vínculo. A criança ainda depende totalmente do adulto para se sentir segura. Os medos mais comuns nessa fase incluem:

  • medo de estranhos;
  • medo de separação dos pais ou cuidadores;
  • medo de barulhos altos e repentinos;
  • medo de ambientes desconhecidos.

Entre os 8 meses e 2 anos, o medo da separação costuma ficar mais intenso. A criança já reconhece quem faz parte do seu círculo de segurança e estranha quando essas figuras se afastam.

Como ajudar:

  • avise sempre quando for sair, mesmo que por pouco tempo;
  • mantenha rotinas previsíveis;
  • ofereça colo, contato físico e palavras tranquilizadoras.

Medo na pré-escola (4-6 anos)

Aqui, a imaginação está a todo vapor. A criança começa a criar histórias, personagens e cenários e isso também influencia os medos. Os medos mais comuns nessa fase são:

Mesmo sabendo que “monstros não existem”, para a criança o medo é real. Rir ou dizer que é “bobeira” pode aumentar a insegurança emocional.

Como ajudar:

  • valide o sentimento (“eu sei que dá medo”);
  • evite expor a criança a conteúdos assustadores;
  • crie rituais de segurança, como uma luz noturna ou uma história calma antes de dormir.

Medo na idade escolar (7-12 anos)

Com o crescimento, os medos se tornam mais ligados à realidade e às relações sociais. A criança passa a compreender melhor o mundo, mas também percebe riscos e expectativas. Os medos mais frequentes incluem:

  • medo de errar ou fracassar;
  • medo de não ser aceito pelos colegas;
  • medo de avaliações escolares;
  • medo de perder pessoas importantes.

Nessa fase, a criança medrosa pode esconder seus medos por vergonha, o que exige ainda mais atenção emocional da família.

Como ajudar:

  • incentive o diálogo aberto;
  • evite cobranças excessivas;
  • reforce que errar faz parte do aprendizado.

Veja também: Como trabalhar a frustração em crianças: estratégias para pais acolhedores

É normal uma criança ter medo de barulho?

Sim. Sons altos e inesperados ativam o sistema de alerta do cérebro infantil. Fogos de artifício, trovões, liquidificadores e aspiradores são exemplos comuns.

Esse medo tende a diminuir com o tempo, à medida que a criança entende a origem do som e se sente protegida.

Dica prática: antecipe o barulho quando possível (“vai fazer um som alto agora, mas é rápido”) e fique perto da criança durante o estímulo.

Quais são os sinais de que uma criança está com problemas emocionais?

Vista das costas de uma criança acompanhada pela mãe durante uma consulta médica. À frente delas, um pediatra sorridente de óculos e uniforme azul tenta transmitir confiança. A menina segura um urso de pelúcia.

Embora o medo seja esperado, alguns sinais merecem atenção. Quando a intensidade é muito alta ou interfere na rotina, pode ser um indicativo de dificuldade emocional. Fique atento se a criança:

  • evita constantemente situações comuns para a idade;
  • apresenta regressões frequentes (volta a fazer xixi na cama, por exemplo);
  • tem alterações bruscas de humor;
  • demonstra tristeza persistente;
  • apresenta queixas físicas sem causa aparente, como dor de barriga ou dor de cabeça.

Nesses casos, o acolhimento familiar é essencial e, muitas vezes, a ajuda profissional faz toda a diferença.

Veja também: Inteligência emocional: o que é e importância

Quais são os sintomas de ansiedade em crianças pequenas?

A ansiedade infantil nem sempre aparece como nervosismo explícito. Em crianças pequenas, os sinais podem ser mais sutis. Alguns sintomas comuns são:

  • irritabilidade constante;
  • dificuldade para dormir;
  • choro frequente sem motivo aparente;
  • apego excessivo aos pais;
  • medo intenso de separação.

Identificar esses sinais cedo ajuda a evitar que a ansiedade se intensifique ao longo do desenvolvimento.

Dicas para desenvolver segurança emocional

A boa notícia é que a segurança emocional se constrói no dia a dia, com atitudes simples e consistentes. Veja algumas práticas que fazem toda a diferença:

  • Escute sem julgamento: deixe a criança falar sobre seus medos.
  • Valide os sentimentos: medo não é fraqueza.
  • Seja previsível: rotinas trazem sensação de controle e segurança.
  • Dê o exemplo: crianças observam como os adultos lidam com desafios.
  • Evite ameaças ou comparações: isso aumenta a insegurança.
  • Celebre pequenas conquistas: cada passo conta.

Quando a criança se sente compreendida, ela ganha confiança para enfrentar situações novas no seu tempo.

Quando procurar ajuda profissional

Se o medo:

  • é muito intenso ou persistente;
  • interfere na escola, no sono ou nas relações sociais;
  • causa sofrimento significativo para a criança ou para a família;

É importante procurar um pediatra ou psicólogo infantil. O acompanhamento profissional não significa que algo “está errado”, mas sim que a criança está recebendo o suporte necessário para crescer de forma saudável.

Cuidar de uma criança medrosa é, acima de tudo, um exercício de empatia, paciência e amor. Cada fase traz seus desafios, mas também muitas oportunidades de fortalecer vínculos e desenvolver segurança emocional.

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As dicas não substituem uma consulta médica. Procure um profissional de saúde para receber orientações individualizadas.

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